Itália investiga Microsoft por venda casada e aumento de preços na nuvem

As investigações sobre práticas anticompetitivas em pacotes de produtividade na Europa possuem raízes no histórico processo regulatório contra a Microsoft nos anos noventa, estabelecendo jurisprudência sobre a integração compulsória de softwares ao sistema operacional. A Autoridade de Concorrência e Garantia do Mercado da Itália (AGCM) reabriu este embate regulatório ao instaurar um inquérito formal contra a fabricante americana em junho de 2026, motivada pelo reajuste de preços e venda casada de ferramentas de inteligência artificial no plano Microsoft 365. A denúncia partiu de associações de provedores locais.
O inquérito visa auditar a legalidade de incluir novas ferramentas de produtividade inteligente nas assinaturas sem oferecer uma alternativa de menor custo sem esses recursos para as empresas compradoras.
O Escrutínio sobre a Integração Compulsória do Copilot
A integração do assistente virtual Copilot nas suítes Office tradicionais, como Word, Excel e Teams, forçou a contratação indireta de capacidade de computação sem a opção de desvinculação pelos clientes corporativos italianos. A AGCM investiga se a fabricante usou seu monopólio de fato em ferramentas de escritório para empurrar o custo da infraestrutura de inteligência artificial para o mercado corporativo médio. Os contratos de fornecimento do setor público italiano também estão sob revisão técnica.
"A imposição unilateral de custos adicionais disfarçados de atualizações tecnológicas prejudica a livre escolha dos consumidores corporativos e eleva as barreiras para provedores independentes de serviços em nuvem", declarou o conselho técnico da AGCM em relatório preliminar. A investigação aponta que a distribuição contínua de software por meio de assinaturas baseadas em nuvem facilita reajustes automáticos de preços que seriam barrados em vendas de licenças perpétuas tradicionais.
A arquitetura do software de produtividade da Microsoft é desenhada de forma que a remoção do assistente de inteligência artificial exige modificações complexas no registro do sistema. Essa barreira técnica inviabiliza que pequenas empresas gerenciem suas suítes de forma customizada, gerando cobranças indesejadas sobre recursos computacionais que muitas filiais operacionais não utilizam em suas rotinas básicas.










